Wicca


O circulo esta aberto e Jamais será Quebrado



O que é PAGANISMO?
Ao contrário do que se pensa, Paganismo nada tem a ver com o culto ao demônio - até porque o demônio não passa de uma invenção das tradições judaico-cristãs. A palavra "PAGÃO" vem do latim "paganus", que é aquele que mora no "pagus", no campo, na Natureza. Assim, pode-se dizer que, em termos religiosos, o Paganismo é o culto e o respeito às forças da Natureza. Para o Pagão, toda a Natureza é viva, é Sagrada - e seus deuses e deusas refletem essa crença, oferecendo conforto e equilíbrio àqueles que compreendem o real significado de se respeitar a Natureza.
Muitos equívocos são propagados quanto ao real sentido da palavra "paganismo", por dicionários, enciclopédias e até mesmo por seus seguidores. Em alguns casos, o termo pagão é empregue como sinônimo de não-cristão - o que é um grande erro, pois assim se incluiriam religiões como o Judaísmo, o Islã e outras, as quais não possuem componentes distintamente "pagãos" no sentido real da palavra - ou seja, de respeito à Natureza. Em outros verbetes, um "pagão" é aquele que ainda não foi batizado no cristianismo. Em outros mais, os termos "paganismo" e "ateísmo" são confundidos, pois ateu é aquele que não crê em nada, não possui religião - bem diferente da noção de paganismo enquanto caminho religioso.
Mas quem são os pagãos? Originalmente, esse termo era empregue para diferenciar os seguidores das religiões da Terra, dos muitos deuses e deusas da Natureza. É este o sentido que adotamos quando utilizamos o termo "paganismo". Assim, costumamos nos referir às culturas pré-cristãs da Europa e das Américas (apenas como exemplos clássicos) como "culturas pagãs". Poucas pessoas hoje em dia ainda mantêm um contato direto com as tradições originais do Paganismo, daí a necessidade de se diferenciar o Paganismo original - surgido na Antigüidade - do novo paganismo, representado por diversas correntes recentes. Para que tal diferenciação seja bem clara e cristalina, muitos autores e pesquisadores optam por utilizar o termo neo-pagão, ou seja, os novos pagãos - aqueles que seguem tradições filosófico-espirituais inspiradas nos ensinamentos e valores das Antigas Religiões. Dentre estas correntes neo-pagãs, sem dúvida duas ganham destaque: a wicca e o neo-druidismo.
Texto de Claudio Quintino (Crow)
A utor de "O Livro da Mitologia Celta"






A Wicca - uma religião do novo milênio
Jan Duarte

Introdução
As formas de religiosidade alternativas tornaram-se um tema recorrente no
estudo da religião, nos últimos anos. Diversas crenças têm conquistado um espaço cada
vez maior na sociedade, criando um amplo campo para pesquisas e um problema
potencial para os educadores que precisam lidar com a perspectiva de um ensino
religioso multifacetado e includente.
Temos concentrado nossos esforços na pesquisa de uma vertente específica
dessas novas formas religiosas, agrupadas sobre a denominação genérica de
neopaganismo. No Brasil, em especial, essa vertente possui todas as características de
uma religião da modernidade, por tentar romper com conceitos estabelecidos da
religiosidade ocidental, basicamente cristã, por ter crescido de forma notável nos
últimos dez anos e, ainda, por ter a Internet como uma de suas principais vias de
propagação.
O neopaganismo surgiu, na realidade, na virada do século XIX para o século
XX, na Europa. Em voga entre setores da aristocracia inglesa, em especial com um
caráter hedonista, transformou-se, ao longo das primeiras décadas do século XX, em
uma série de seitas e sociedades herméticas, nos moldes maçônicos e rosacrucianos,
como a Ordo Templi Orientis (O.T.O.), de Aleisteir Crowley. Em meados da década de
1950, entretanto, surge na Inglaterra, a partir da obra do folclorista amador Gerald B.
Gardner, a vertente do neopaganismo que vai alcançar maior popularidade e ganhar
verdadeiros contornos de religião: a Wicca.
A Wicca, comumente chamada de "bruxaria moderna", parte do pressuposto da
existência de uma "antiga religião" praticada na Europa pré-cristã, de caráter fortemente
matrifocal, e que teria sido conservada através da tradição oral pelos seus praticantes até
os dias atuais. Nessa perspectiva, advoga-se que as pessoas perseguidas e mortas pela
Santa Inquisição como bruxas, entre os séculos XV e XVII, seriam sacerdotes e
praticantes dessa antiga religião pagã. São os elementos dessa antiga religião que ela
busca, portanto, resgatar.
Essas alegações baseiam-se amplamente em obras antropológicas ou folclóricas
do final do século XIX e início do século XX, como Aradia, gospel of the witches
(1899), de Charles G. Leland, The Golden Bough (1922), de Sir James Frazer e,
principalmente, The witch cult in western europe (1921), de Margareth Murray. Embora
a idéia da sobrevivência de um culto pagão através dos tempos, da forma expressa
nesses livros e em outros semelhantes, já estivesse amplamente ultrapassada nos meios
acadêmicos no período de surgimento da Wicca, o apelo popular de uma "religião pagã
da deusa", em contraponto à "religião cristã do deus" foi decisivo para a multiplicação
dos seus seguidores, que logo se contavam aos milhares, tanto na Inglaterra como nos
Estados Unidos.
A partir do início da década de 1970, as idéias da Wicca receberam acréscimos
em especial do movimento feminista e da new-age, chegando assim a uma razoável
definição do que seria a nova religião. Principalmente nos Estados Unidos, começaram
a surgir tentativas de sistematização, através de associações e conselhos de "bruxos", e
foram fundadas as primeiras igrejas propriamente ditas.
A Wicca chegou ao Brasil, de forma ainda tímida, provavelmente em meados da
década de 1980. Somente a partir do início da década seguinte, no entanto, é que surgem
no mercado brasileiro os primeiros livros sobre o assunto, traduções de obras populares
nos Estados Unidos, de autores como Lois Bourne, Scott Cunningham e Laurie Cabot.
Apenas a partir de 1998 é que se nota uma multiplicação de títulos e uma grande difusão
da sua doutrina como religião alternativa. Essa propagação é um fenômeno típico da
classe média, e se dá principalmente através da Internet, onde o número de referências e
sites sobre o assunto, de modestas duas dúzias em 1998, ultrapassa hoje a casa dos 50
mil, apenas no Brasil (DUARTE, 2003). Hoje em dia, em nosso país, existe pelo menos
uma associação registrada - a Abrawicca - com ramificações na maioria dos estados
brasileiros, e uma igreja registrada em Minas Gerais.
Essa característica de profunda difusão através da Internet é de sumo interesse.
A quantidade de informações disponíveis e a rapidez da comunicação, aliadas a um
caráter tipicamente não dogmático da Wicca, criaram uma diversidade de opiniões e um
constante debate. Na verdade, torna-se possível acompanhar - talvez pela primeira vez
de forma ampla e aberta - a formação das bases e crenças de uma religião nascente, e o
desenvolvimento ainda incipiente de uma teologia específica.
Problematização e metodologia
Partindo dos princípios expostos, buscamos diagnosticar em que consiste o
conjunto de crenças dos adeptos da Wicca, hoje, no Brasil. A idéia era poder determinar
um certo conjunto de crenças comuns para a maioria desses adeptos, que pudesse ser
tido como consenso, e compará-lo com a literatura específica sobre o assunto, a fim de
determinar aproximações ou desvios. Como forma de controle, buscamos igualmente a
opinião de pessoas pertencentes a outras religiões sobre aquilo que elas acreditam ser as
crenças da Wicca.
Deve-se levar em consideração alguns fatores específicos. Em primeiro lugar,
não existe nenhum tipo de "livro sagrado" ou "revelação" na Wicca. Dessa maneira, as
fontes que fundamentam a crença e a prática são, exclusivamente, a literatura sobre o
assunto, que consiste basicamente em obras (na sua maior parte estrangeiras) de
sacerdotes renomados. A Wicca não possui, igualmente, uma cosmogonia ou uma
mitologia próprias, tendendo antes a interpretar de uma forma particular as diversas
cosmogonias e mitologias pagãs. Embora pela sua própria origem anglo-irlandesa exista
uma tendência a privilegiar mitos e tradições célticas e germânicas, a única coisa que
pode ser apontada como uma fundamentação mitológica para a Wicca é a própria
alegação de ser a continuidade ou o resgate de uma antiga religião pré-cristã.
Consideramos, então, que aquilo que pode caracterizar e definir uma
determinada religião, bem como distingui-la de outras, é: a) sua visão específica de uma
divindade ou de um conjunto de divindades, ou mesmo a inexistência dessa visão; b) os
fundamentos histórico-mitológicos em que a crença se baseia, e que lhe conferem um
caráter de validade ou autenticidade, baseados na tradição; c) a existência de uma
prática comum, seja ela de caráter ritualístico ou não, e d) a existência de princípios
éticos ou morais, que devam ser seguidos por todos os fiéis ou adeptos.
No item “existência de uma prática comum”, no entanto, abandonamos a idéia
de determinar simplesmente uma forma ritual específica da Wicca, uma vez que a
literatura sobre o assunto é consensual a respeito das celebrações, suas formas e
simbolismos, e ainda porque essas celebrações, sendo baseadas em festivais sazonais,
não diferem essencialmente de celebrações semelhantes encontradas em outras
religiões. Dessa forma, com exceção de uma breve alusão que explicitaremos adiante,
preferimos nos concentrar em outro aspecto da prática, de caráter mais polêmico: a
utilização e a crença na efetividade da magia.
Para atingir nosso objetivo, disponibilizamos na Internet um questionário
composto de 17 afirmações, as quais os respondentes deveriam classificar como falsas
ou verdadeiras, de acordo com os seus conhecimentos sobre a Wicca. Ao responder o
questionário, o respondente deveria informar sua faixa etária, sua escolaridade e sua
religião, sendo que 40% dos respondentes declararam-se wiccanos.
As afirmações propostas no questionário foram, em parte, retiradas de livros
consagrados sobre o assunto e, outras, feitas de acordo com os conhecimentos mais
atuais sobre antropologia, mitologia comparada e história das religiões. Os dados
obtidos foram tabulados e comparados por computador, através de um programa feito
especialmente para esse fim.
A caracterização da divindade
A literatura específica consagrou a Wicca como uma "religião da Deusa". Isso
significa que existiria uma divindade arquetípica primordial de caráter feminino,
chamada simplesmente de "Deusa" ou, mais raramente, de "Deusa-Mãe". A Deusa gera
o Deus-Consorte, que a fecunda e é sacrificado, ao final de cada ciclo, para renascer no
início do ciclo seguinte. Tais temas - a hierogamia divina e o sacrifício do deus - são
comuns a quase todas as civilizações agrícolas, representando o ciclo anual de plantio e
colheita.
Uma figura recorrente encontrada na literatura é, igualmente, a afirmação que
"todas as deusas são a Deusa e todos os deuses são o Deus", significando um panteísmo
que admite, a princípio, que os inúmeros deuses e deusas dos diversos panteões podem
ser encarados como visões particulares da divindade arquetípica, onde determinados
atributos são particularizados. Apesar disso, muitos livros sobre o assunto admitem a
existência real e individual das divindades, baseando-se principalmente na noção
ocultista de "egrégora" ou "formas de pensamento".
A parte do questionário que buscava caracterizar o pensamento da Wicca a
respeito da existência e do caráter da divindade, ou das divindades, em que se baseia o
culto, constava de seis afirmações, a saber1:
a) A Wicca é uma religião centrada no culto a uma divindade superior
feminina, a Deusa.
b) A Deusa é a divindade criadora de todas as coisas.
c) Embora criado pela Deusa, o Deus-Consorte é equivalente a ela em
importância.
d) A Deusa e seu consorte, o Deus, são apenas alegorias ou mitos ligados a
fertilidade da natureza.
e) Os diversos deuses e deusas são apenas manifestações da divindade
criadora.
f) Os diversos deuses e deusas possuem existência real e independente.
Considerando-se as respostas daqueles que declararam sua religião como sendo
a Wicca, nota-se alguma indefinição apenas em relação à afirmação ligada a idéia de
criacionismo. Mesmo assim, há uma predominância daqueles que aceitam a idéia de
uma divindade criadora, em consonância com a idéia expressa na literatura, mesmo que
de forma metafórica. Os itens c e d foram também respondidos de acordo com o
esperado, se nos basearmos na literatura sobre o assunto, estabelecendo uma
equivalência entre as duas figuras divinas centrais do culto e negando seu caráter
alegórico ou arquetípico de representações de fenômenos naturais.
Já a porcentagem de respostas ao item a desvia-se de forma pronunciada ao
senso comum em relação à crença da Wicca, negando ser esta uma religião centrada no
culto a uma divindade superior feminina. De certa forma, pode-se interpretar esta
resposta como complementar àquela que admite a importância equivalente entre Deusa
e Deus. Inconsistentes com a literatura são também as respostas aos dois últimos itens.
Nega-se a máxima citada anteriormente, que descreve os diversos deuses como aspectos
da divindade (ou das divindades) primordial e, ainda, não se reconhece a
individualidade dessas divindades.
Cotejando-se esses resultados com aqueles apresentados pelo grupo que se
declarou pertencente a outras religiões (incluindo agnósticos e ateus), não se percebe
uma diferença marcante entre a auto-concepção dos wiccanos e a imagem que o grupo
diversificado faz desta religião. A única exceção digna de nota refere-se, como era de se
esperar, ao fato de que este último grupo considera a Wicca uma religião centrada no
culto a uma Deusa.
Observa-se, portanto, que a crença da Wicca considera a existência de duas
divindades opostas e complementares, equivalentes em importância. Tais divindades
não são encaradas como mitos ou alegorias que representam o caráter cíclico das
estações mas, de toda maneira, não existe um consenso quanto a existência efetiva de
deuses ou deusas, como entidades conscientes ou independentes.
Tanto no grupo dos wiccanos quanto no grupo de controle, esse resultado não é
significativamente afetado pela idade dos respondentes, mas nota-se uma tendência a
considerar as divindades de forma mais simbólica, conforme aumenta a escolaridade.
Fundamentação histórico-mitológica da crença
Como indicamos anteriormente, a principal fundamentação histórica contida na
Wicca refere-se a uma pretensa continuidade. Todos os livros sobre o assunto baseiam
suas argumentações na inquestionável existência de uma religião pré-cristã matrifocal
que seria praticada na Europa Ocidental desde tempos neolíticos, religião esta que seria
uma forma ancestral da Wicca. Estes argumentos, logicamente, não encontram nenhum
respaldo nos atuais conhecimentos da antropologia ou da história, principalmente por
partirem de uma generalização ou uniformização de crenças em um período em que isso
seria incabível. Da mesma forma, levando-se em consideração a cristianização da
Europa a partir da Idade Média, pode-se quando muito falar em sobrevivências de
costumes pagãos na cultura popular ou absorvidos e integrados à crença cristã, mas não
de uma sobrevivência do paganismo, muito menos como religião organizada.
É importante ressaltar que nenhum livro sobre o assunto apresenta a figura de
Gerald B. Gardner como criador da Wicca, mas quando muito como sistematizador. O
próprio Gardner, em suas obras, afirma estar apenas repassando conhecimentos que
teria obtido de pessoas que o haviam iniciado nos "antigos segredos".
No entanto, não é do escopo desta pesquisa questionar tais premissas. Qualquer
religião possui uma pretensa historicidade, normalmente remontando a períodos muito
recuados no tempo, e sobre os quais poucas afirmações seguras podem ser feitas.
Buscamos apenas detectar o nível de credibilidade dessa historização entre os
praticantes e até que ponto ela pertence ao imaginário dos não-praticantes em relação à
Wicca.
As afirmações referentes à fundamentação histórica foram as seguintes2:
a) A Wicca é a "Velha Religião" que já era praticada na Europa Ocidental précristã.
b) A Wicca foi criada na década de 1950 por Gerald B. Gardner.
c) As pessoas mortas pela Inquisição, entre os séculos XV e XVII, eram
praticantes da "Antiga Religião" resgatada pela Wicca.
d) As bruxas atuais são herdeiras espirituais daquelas bruxas mortas pela
Inquisição.
A característica principal que se nota ao examinar as respostas é a indefinição,
com resultados oscilando cerca de 3 pontos percentuais acima ou abaixo da média.
Dessa maneira, pode-se dizer que não há um consenso sobre os temas tratados, embora
a tendência geral tenha sido acompanhar aquilo que é preconizado pela história e pela
antropologia e descartar a idéia de continuidade contida nos livros sobre o assunto.
Vale dizer que esse resultado mostra uma significativa mudança em relação a
uma pesquisa semelhante realizada por nós há dois anos, quando a grande maioria dos
respondentes tendia a considerar a Wicca uma continuidade de antigas tradições e a
aceitar a idéia de que a perseguição à bruxaria européia estava relacionada a uma
tentativa da Igreja Católica de combater a persistência de uma religião organizada do
paganismo (DUARTE, 2003). De forma até certo ponto surpreendente, a afirmativa d
foi a mais rejeitada (74,8%), justamente a que relaciona diretamente os atuais
praticantes da Wicca às pessoas mortas pela Inquisição.
Ao mesmo tempo foi igualmente rejeitada, embora com menor ênfase, a idéia de
que a Wicca tenha sido criada na década de 1950 por Gardner. Aparentemente esses
resultados mostram uma conscientização dos praticantes da Wicca a respeito das
origens de suas crenças, provavelmente devido à multiplicação dos debates sobre o
assunto nos últimos anos, muito embora ainda persista a noção de sobrevivência ou
resgate de crenças pagãs, negando-se a contemporaneidade do surgimento da religião.
Deve-se ainda levar em consideração que apenas entre os praticantes mais
velhos surge a predominância da idéia que a Wicca é a "Velha Religião" (52,2%), e que
apenas entre os mais jovens predomina a idéia de que as pessoas mortas pela Inquisição
seriam antigos praticantes da Wicca (54,3%). Embora, como já apontado, as diferenças
percentuais não sejam concludentes, essas pequenas variações parecem apontar uma
ligeira tendência ao conservadorismo entre os mais velhos e a adesão à idéias
"românticas" entre os mais jovens, o que seria de se esperar.
Não há divergência nos resultados do grupo de controle, formado por praticantes
de outras religiões, embora neste grupo as diferenças percentuais sejam mais
expressivas. Isso parece indicar que há uma progressiva aproximação entre as crenças
da Wicca e aquilo que é comumente aceito sobre elas.
Ritos e práticas
Como exposto na metodologia desse trabalho, ao abordar o tema ritos e práticas
da Wicca, não nos prendemos àqueles conceitos ligados unicamente aos ritos sazonais
que fazem parte de um calendário de celebrações wiccanianas, visto estes terem um
caráter mais operacional do que propriamente ligado ao sistema de crenças, objetivo
último dessa pesquisa. Todavia, interessa-nos as questões relativas à origem desses
ritos, por estarem relacionadas com o arcabouço histórico-mitológico da crença.
De uma forma geral, a literatura específica sobre o assunto, seguindo a idéia de
continuidade de tradições européias pré-cristãs descreve o calendário de celebrações
wiccanianas como sendo originário das celebrações sazonais dos celtas. Ou seja, a
literatura aponta as atuais celebrações como reproduções de ritos celtas, apesar de toda a
incerteza que a arqueologia e a história possam ter sobre a maior parte desses ritos.
Além disso, tais celebrações recebem o nome de sabás, numa alusão direta a
denominação medievo-moderna das reuniões de bruxas, consagrada pela Inquisição.
Outro aspecto preponderante na literatura wiccaniana é a magia, sendo poucos
os livros que não consagram capítulos inteiros ao tema e havendo diversos que
dedicam-se exclusivamente a ele. A leitura de tais livros leva a crer, na verdade, que
pelo menos algum tipo de "pensamento mágico" é indissociável da prática da Wicca. A
crença na efetividade da magia, baseada na eficácia de determinadas substâncias, de
certos objetos e do "poder pessoal" do praticante, surge como atributo distintivo do
bruxo moderno. Há, todavia, um afastamento sistemático dos conceitos explorados pela
Magia Cerimonial, tradicionalmente ligada aos conceitos cristãos da possibilidade de
manipulação de seres angélicos ou demoníacos.
Nesse item, duas afirmações referiam-se à historicidade dos rituais da Wicca, e
três outras à prática da magia. Eram elas3:
a) Os rituais da Wicca reproduzem os antigos rituais celtas.
b) Os rituais da Wicca são frutos da mistura de técnicas de magia cerimonial e
ritos sazonais, muitos dos quais presentes em várias outras religiões,
inclusive o cristianismo.
c) A prática da Wicca é indissociável da prática da magia.
d) A magia funciona pela ação conjunta do poder do praticante, da
interferência das divindades e/ou elementais e dos objetos utilizados (ervas,
velas, incensos, etc.).
e) A magia é uma forma de sugestão, apenas, do praticante ou de terceiros.
Em relação às afirmações que se referem aos rituais da Wicca, as respostas
indicam novamente uma aproximação do conhecimento histórico e, consequentemente,
um repúdio ao que é consagrado pela literatura específica. Em proporções praticamente
idênticas, tanto wiccanos quanto praticantes de outras religiões admitem que a
celebração de ritos sazonais, diretamente ligados ao ciclo de plantio e colheita, como é o
caso dos rituais da Wicca, são basicamente universais, e não característicos ou
exclusivos de um determinado povo. Como era esperado, esta tendência acentua-se
entre praticantes e não-praticantes de maior nível de escolaridade.
Por outro lado, as afirmações relativas à magia constituíram-se nas maiores
unanimidades da pesquisa, independentemente de idade, escolaridade ou crença.
Porcentagens sempre maiores do que 65% e por vezes superiores a 90%, dependendo da
faixa enfocada, rejeitaram a idéia de magia como uma forma de sugestão ou autosugestão,
e a atribuíram à ação conjunta de objetos, seres sobrenaturais e do praticante.
Depreende-se deste resultado uma crença generalizada na existência e eficácia da magia
como realidade que transcende os limites psicológicos do ser humano, assentando-se
numa supranormalidade que extrapola as explicações científicas.
Sintomático, ainda, é verificar que a associação entre prática da Wicca e prática
da magia foi veementemente rejeitada, exceto entre os respondentes mais velhos e com
maior nível de escolaridade. Tal resultado, por si só surpreendente, carece de uma
análise mais profunda, que não pode ser convenientemente embasada pelos dados
obtidos nessa pesquisa. Apenas a título de conjectura, no entanto, poderíamos arriscar a
hipótese de que, entre pessoas mais velhas e com maior acesso à informação, os
desafios característicos da sociedade contemporânea levam à busca de religiosidades
alternativas que ofereçam algo de "mágico", como uma válvula de escape às pressões do
cotidiano4.
Princípios éticos e morais
A existência de princípios éticos e princípios morais que regulam o
comportamento dos fiéis é uma característica presente na maior parte das religiões,
sendo preponderante no cristianismo, judaísmo e islamismo e desempenhando um
importante papel em várias religiões orientais. Na Wicca, tais preceitos reguladores de
conduta estão praticamente ausentes. Na verdade, as maiores preocupações nesse
sentido encontradas na literatura específica dizem respeito à observação de uma "ética
mágica", intrinsecamente ligada à crença na possibilidade e na efetividade da magia.
Pode-se dizer, portanto, que os únicos preceitos wiccanos que se referem
diretamente à regras de comportamento ético ou moral reduzem-se a dois. Um deles,
geralmente conhecido como wiccan rede - conselho wiccano - traduz-se pela sentença
"faz o que tu queres, desde que a ninguém prejudiques". O outro, conhecido como Lei
Tríplice, ou Lei do Triplo Retorno, afirma que "tudo que fizeres a alguém voltará a ti
triplicado". A primeira afirmativa é, obviamente, uma adaptação da máxima ocultista
enunciada por Alesteir Crowley, "faz o que tu queres é o todo da lei", presente nos seus
"Livros Sagrados" que datam do início do século XX (CROWLEY, 1998). A outra não
difere de diversas leis de retorno dos atos praticados, encontradas em quase todas as
religiões.
As afirmativas utilizadas na pesquisa, portanto, reproduzem essas duas máximas.
Foram elas:
a) Todos os praticantes da Wicca devem seguir a máxima "faz o que tuqueres, sem
a ninguém prejudicar".
b) A Lei Tríplice, que diz que tudo que uma pessoa fizer voltará à ela triplicado, é
algo a que todos os praticantes da Wicca estão sujeitos.
Os resultados, nesse item, foram concludentes. Em média, 81,6% dos wiccanos
assinalaram tais afirmativas como verdadeiras, e novamente observou-se um aumento
dessa porcentagem nos grupos de respondentes com mais idade ou maior escolaridade,
chegando a um máximo de 92,3% nesse último. No grupo dos praticantes de outras
religiões, houve também uma acentuada tendência de considerar verdadeiras as
afirmativas acima.
Considerações finais
Pelos resultados colhidos na presente pesquisa, cremos ser seguro afirmar que a
Wicca, no Brasil, é uma religião em desenvolvimento, que começa a estabelecer (ou a
reformular) as suas bases doutrinárias a partir da própria opinião dos seus praticantes,
deixando paulatinamente de lado conceitos expressos nos livros de autores consagrados,
porém leigos, e acomodando-se a conceitos que a adequam à pesquisa histórica.
Essa conclusão parece ser válida principalmente a partir de um progressivo, mas
ainda indefinido, abandono de idéias romantizadas sobre a "Antiga Religião" pré-cristã
e sobre a ligação da bruxaria medieval com a moderna, bem como o abandono da
excessiva ênfase nas mitologias européias. Parece estar surgindo entre os praticantes a
idéia de que seus ritos e crenças podem conter elementos, e mesmo resgatar elementos,
do paganismo típico dos povos agrícolas, mas não são uma expressão preservada
através dos tempos desses ritos e crenças.
Na questão da divindade, a crença wiccana ainda surge nebulosa. Não parece
haver entre os praticantes (e na verdade nem entre os autores) um consenso sobre o que
representam, efetivamente, a figura da Deusa e do Deus-Consorte. A tendência é
atribuir-lhes uma transcendência ou mesmo uma concepção figurativa, mas ainda
rejeita-se a idéia de retratá-los como simples representações dos ciclos naturais. A
noção da existência concreta da divindade, e mesmo de sua intervenção direta e
particular na vida humana, típica da cultura judaico-cristã, está ainda fortemente
presente nesse ponto particular.
Por fim, a questão da magia surge como preponderante. Ela é não apenas uma
crença generalizada como, ainda, está relacionada diretamente aos princípios éticos e
morais aceitos como norteadores de conduta, na religião. Seria, talvez, o caso de
considerar a Wicca quase como uma "religião da magia", o que acabaria por diferenciála
notadamente do cristianismo, e em especial do catolicismo, que vem deixando cada
vez mais de lado seus aspectos místicos ou misteriosos. Dessa forma, talvez possamos
encontrar aqui um dos atrativos principais dessa nova religião, uma vez que nossos
resultados apontam para uma crença disseminada na magia, independentemente da
religião.
Disseminada através da Internet, de inúmeros títulos nas livrarias e mesmo de
publicações populares nas bancas de jornais, trazendo no conjunto das suas crenças uma
reaproximação com a natureza e com as formas mais instintivas da religiosidade e, além
disso, demonstrando a capacidade de se reavaliar e de adaptar sua doutrina a novos
tempos e novos pensamentos, a Wicca vem ganhando um sólido espaço entre as
múltiplas religiões presentes no Brasil. Embora ainda carente de algumas definições e
bastante associada ao esoterismo, ela constitui para o pesquisador uma rara
oportunidade: assistir o nascimento e o desenvolvimento de uma religião.
Notas:
1 Com exceção da afirmativa d, as demais foram extraídas textualmente ou adaptadas de livros sobre o
assunto.
2 Com exceção da afirmativa b, as demais foram retiradas textualmente da literatura sobre o assunto.
3 Neste item, as afirmativas a e d foram extraídas da literatura sobre o assunto, enquanto as demais são
extrapolações de observações do autor, com fundamentação histórica ou antropológica.
4 Pesquisas recentes apontam que pessoas com um maior nível de escolarização estão mais sujeitas à
depressão, vinculada a uma desilusão com os ideais perseguidos face a valorização alcançada.
Bibliografia:
BOURNE, Lois. Autobiografia de uma feiticeira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.
CABOT, Laurie. O poder da bruxa. Rio de Janeiro: Campus, 1990.
CROWLEY, Aleister. Os livros sagrados da Thelema. São Paulo: Madras, 1998.
DUARTE, Janluis. As bruxas da Internet. In: www.mitoemagia.com.br, 2003.
ELIADE, Mircea. História das Crenças e Idéias Religiosas. Rio de Janeiro. Zahar, 1978.
FARRAR, Janet e Stewart. Oito sabás para bruxas. São Paulo: Anúbis, 1999.
GARDNER, Gerald B. A bruxaria hoje. São Paulo: Madras, 2003.
_________. O significado da bruxaria. São Paulo: Madras, 2004.
MURRAY, Margareth A. O culto das bruxas na Europa Ocidental. São Paulo: Madras, 2003.
NOGUEIRA, Carlos Roberto F. O Nascimento da Bruxaria. São Paulo: Imaginário, 1995.
RAVENWOLF, Silver. To Ride a Silver Broomstick. St.Paul: Llewellyn, 1993.
RUSSELL, Jefrey B. História da feitiçaria. Rio de Janeiro: Campus, 1993.


A Tradição da Grande Mãe

Origem
Durante os últimos três milênios as principais religiões do mundo enfatizaram o Princípio Divino
Masculino. Apesar das diferenças conceituais e das práticas religiosas entre judaísmo, islamismo, hinduismo
e cristianismo, a Divindade Suprema e personificada por arquétipos masculinos com mitos e preceitos
patriarcais. Mesmo que existam figuras femininas que sejam honradas e celebradas elas não são
consideradas forças primordiais e criadoras, sendo relegadas a papéis e atribuições secundárias.
Apesar de, no momento, essas religiões predominarem no cenário mundial, a origem delas é
relativamente recente, enquanto que a veneração a uma Criadora chamada genericamente de “A Grande
Mãe”, remonta ao início do período paleolítica, há trinta mil anos atrás. Provas irrefutáveis deste
antiquíssimo culto são as inúmeras estatuetas em pedras, osso ou argila representando figuras femininas ou
partes do corpo da mulher relacionadas com a função geradora ou nutridora, encontradas em todo o mundo.
Consideradas pelos historiadores homens do século passado com simples “Vênus” paleo ou neolíticas,
atualmente esses objetos de culto são vistos como representações da deusa mãe, conforme demonstram os
estudos, livros e pesquisas de antropólogas, historiadoras, sociólogas e arqueólogas.
Significado
A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a unidade da vida, pois ela existe e reside em
todos os seres e em todo o Universo. Seus múltiplos aspectos e manifestações recriam o eterno ciclo de
nascimento, crescimento, florescimento, decadência, morte e renascimento, na perpétua dança espiral das
energias da vida.
A Deusa Mãe foi a suprema divindade do planeta durante trinta milênios, reverenciada pelo seu
poder de gerar, criar, nutrir e sustentar todos os seres. Os seus atributos de fertilidade, abundância e
nutrição são vistos nas estatuetas com características zoomórficas ou antropomórficas, como deusas
pássaros ou senhora dos animais ou simplesmente mulheres grávidas, dando à luz ou amamentando.
Reverenciada e conhecida sob inúmeras manifestações e nomes, de acordo com a cultura e a época, a
Deusa era a própria Mãe Terra, a energia da vida do planeta. Por ser imanente e permanente em toda a
natureza, a Grande Mãe era venerada nas fontes, nos rios, lagos e mares, nas grutas, florestas e montanhas,
nos fenômenos da natureza, na riqueza e beleza da Terra. Os templos que lhe foram dedicados reproduziam
formas femininas ou concentravam e direcionavam as energias cósmicas e telúricas por meio dos círculos
de pedras ou nas câmaras subterrâneas.
Tentativa de destruir o culto à Deusa
O período pacífico das civilizações neolíticas centradas nos cultos da deusa entrou em declínio cinco
mil anos atrás com advento da idade de bronze e de ferro. Entre 4000-2000 AC invasões sucessivas de
tribos indo-européias vindas da Ásia Central conquistaram e dominaram a Europa e a Ásia Menor. Estes
povos nômades com instintos belicosos e usando o poder letal das espadas trouxeram consigo um panteão de
deuses guerreiros, donos do céu, senhores dos raios e relâmpagos. Conhecidos como kurgos, arianos,
hititas, semitas e dóricos, provocaram a destruição das culturas agrícolas matrifocais da Antiga Europa. A
terra foi saqueada, os templos destruídos, as mulheres escravizadas e inferiorizadas. Sobre os escombros
neolíticos as tribos patriarcais criaram as suas civilizações baseadas em modelos de dominação e
autoritarismo.
Androcentrismo
Muda-se o sexo do criador, a Mãe tornou-se Pai, os mitos são deturpados, transformando a Deusa
criadora em simples consorte, filha ou amante de deuses todo-poderosos ou simplesmente aniquilando-a ou
escamoteando-a em símbolos ou manifestações maléficas. Na psicologia da humanidade ocorre uma
dicotomia entre os valores masculinos ( deuses celestes superiores) e femininos ( deusas telúricas
inferiores). A luz passou a ser sinônimo do bem – a escuridão, do mal, o homem, por ser feito à semelhança
do Deus investido de poder e direitos, a mulher, por lhe ser inferior, devendo ser submissa, e servindo
apenas para reprodução ou prazer.
A derrota definitiva do culto da deusa ocorreu com a instauração do monoteísmo judaico-cristão,
que proclamou um só criador-Pai, e considerou a mulher a origem do pecado e de todos os males. O
cristianismo suprimiu todos os símbolos do poder divino da Deusa considerando-os maléficos ou
pecaminosos. Mesmo assim a iconografia e os atributos da Deusa foram absorvidos e adaptados no culto
de Maria. Suas inúmeras igrejas foram erguidas nos locais sagrados das deusas greco-romanas, egípcias e
celtas, seus atributos e estátuas sendo adaptações cristianizadas dos antigos nomes e imagens de Cibele,
Innana, Deméter e Isis.
Depois da extinção definitiva dos cultos da Deusa nos países cristianizados, fragmentos das
antigas tradições, celebrações, conhecimentos e rituais, sobreviveram disfarçados nas crenças populares, nas
tradições nativas e nos contos de fadas.
A volta do culto à Deusa
Atualmente observa-se no mundo todo o ressurgimento dos valores e da busca do Sagrado
Feminino, simbolizando a necessidade de uma cura profunda da psique individual e coletiva, levando a uma
expansão da consciência para assegurar a renovação planetária no próximo milênio. A volta da Deusa não
significa o retorno às antigas religiões; o que ela prenuncia é uma nova forma de validação dos valores
femininos, uma nova cosmologia centrada na Terra, uma nova ética enraizada na conscientização e
reconhecimento das tradições e mitos do passado, mas para nos reconectar com a energia amorosa e
compassiva da Grande Mãe precisamos passar por mudanças profundas na nossa maneira de pensar e agir,
abrindo mão do jogo de poder, competição, retaliação, vitimização e opressão (características do
patriarcado) e desenvolver a tolerância, a solidariedade, a compreensão e apoio mútuo, ultrapassando as
diferenças e as cisões dualistas, em busca da pacificação interna e externa, em um empenho global para
honrar e preservar Gaia, a nossa Grande Mãe.
O anuário da Grande Mãe
Livro de Mirella Faur
Mirella Faur
Mirella Faur nasceu na Romênia e mora no Brasil desde 64. Trabalha há 28 anos com astrologia, é
muito ligada às tradições celtas e se considera uma divulgadora da antiga tradição da Deusa. Mora em
Brasília há 15 anos, em uma chácara, onde faz jornadas xamânicas e promove reuniões de mulheres na lua
cheia, em busca do sagrado feminino. Escreveu o livro “O anuário da Grande Mãe, guia prático de rituais
para celebrar a Deusa”, pela editora Gaia, de SP


Classificação dos Cristais
Por Andressa: cristaishomepage@ieg.com.br
No reino dos cristais existem sete sistemas. Cada um deles toma o nome da sua forma
tipo, a saber: cúbico ou isométrico (cubo- fluorita); quadrático ou tetragonal (prisma
reto de base quadrada - wulfenita); ortorrômbico (paralelepípedo retângulo - topázio);
hexagonal (prisma reto de base losangular tendo um ângulo de 120 graus - esmeralda,
berilo); romboédrico ou trigonal (de três faces, como o quartzo); monoclínico ou
clinorrômbico(prisma oblíquo de base losangular - azurita); e triclínico(paralelepípedo
de base losangular - amazonita). Considerando sua forma física - tamanho,
transparência, inclusões - Antonio Duncan, no livro ABC dos Cristais (ed. Nórdica),
apresenta uma classificação energético-mística mais definida, dividindo os cristais em:
Geradores
São os mais comuns e possuem uma única terminação e uma base. Como sua função é
gerar força cósmica, eles têm que ser geometricamente perfeitos.
Biterminados
Destituídos de base, possuem terminação dupla, através da qual projetam a energia que
se concentra no meio do seu corpo. São empregados na transmissão e recepção
simultânea de energia entre dois pontos (chakras, pessoas, etc).
Drusas ou Aglomerados
Ideais para energização e purificação de ambientes, bem como para limpeza e recarga
de cristais menores, são formações que compreendem vários cristais de terminação
única compartilhando a mesma base.
Arquivistas
Considerados muito especiais, trazem símbolos gravados ou riscados em uma ou mais
de suas faces - em geral pequenos triângulos ou espirais. Arquivam informações
transmitidas energeticamente ou no nível da memória subconsciente. Ideais para
meditação, não devem ser vistos nem tocados por outra pessoa.
Arco-íris
Quando bem iluminado, podemos ver em seu interior pequenos arco-íris. São indicados
para trabalhar sentimentos de tristeza, melancolia e depressão.
Tabulares
Difíceis de serem encontrados, possuem dois dos lados opostos maiores e mais largos,
o que torna o cristal achatado. Em geral são biterminados, têm vibração alta e
freqüência energética diferente da dos outros cristais, permitindo o estabelecimento de
um elo profundo entre o indivíduo e o seu eu superior. Recomenda-se o uso em
meditações profundas ou como professores.
Esferas ou Bolas de Cristal
São excelentes instrumentos de meditação e clarividência, com lapidações especiais
que distribuem a energia de forma homogênea.

Altar

Os rituais pagãos sempre são celebrados com a presença de um altar. Geralmente, o altar é organizado com representações dos quatro elementos (água, ar, terra e fogo) e das divindades, mas isso não é obrigatório e muitas vezes fazemos rituais com o que temos no momento.
Qual o objetivo se ter um altar?
Basicamente, ter uma representação física das energias sutis com as quais trabalhamos. Dispondo de certos utensílios à nossa frente, em um ritual, nos conectamos mais facilmente à inspiração que nos levou até ali. É o nosso apoio e onde focalizamos as energias invocadas e criadas no decorrer de um ritual.
Altar fixo e altar ritual
Você pode estabelecer um altar em cima de uma pequena mesa, escrivaninha ou até mesmo no chão. O importante não é o lugar, mas as suas intenções. Se você o fizer com amor e carinho, levando em conta algumas diretrizes básicas, estará tudo certo.
Se você tiver um local exclusivamente dedicado à sua prática religiosa na sua casa, você é um(a) sortudo(a) e pode instalar o seu altar lá sem problemas. No entanto, se por qualquer motivo você não pode fazê-lo, você pode colocá-lo em qualquer outro lugar da casa.
Se você não pode, em hipótese alguma, manter um altar fixo em sua casa, então você pode ter apenas um altar ritual mesmo. Trata-se de um altar que você montará no lugar onde realizará o ritual e, ao término deste, desmontará e guardará no lugar onde preferir. Não há problema nenhum nisso.
De qualquer forma, pense seriamente na possibilidade de manter um altar fixo na sua casa. Será o seu cantinho espiritual e um lugar para uma conexão praticamente diária com as divindades. Analise as possibilidades!
Como montar um altar
O primeiro passo é adquirir uma representação física para os quatro elementos mais a quintessência, o espírito. Depois, basta distribuí-los no altar mediante a correspondência com os pontos cardeais:
Ar: relacionado ao Leste
Fogo: relacionado ao Sul
Água: relacionado ao Oeste
Terra: relacionado ao Norte
Espírito: no centro do círculo
Há divergências da escolha dos pontos cardeais e vários autores fazem de forma diferente. Veja o que for mais coerente com você.
Você deve escolher para que ponto irá voltar o seu altar. Tradicionalmente, ele é virado para o Norte, o ponto relacionado ao elemento Terra, mas muitas bruxas o viram para o Leste, ponto onde o Sol nasce, representando novos ares.
Além da representação dos elementos, há a representação das divindades no altar. Na Wicca, o lado esquerdo representa as energias femininas, enquanto que o lado direito representa as energias masculinas. Na Bruxaria, não há obrigatoriedade.
Alguns utensílios que podem ser adicionados ao seu altar, de acordo com esta representação:
Elemento Terra: Pentáculo, pires com sal, cristais, pedras, plantas, flores, vela marrom ou verde, chifres, símbolo ou desneho de animais das florestas, como os cervos.
Elemento Ar: Athame, sino, penas, incensos, vela amarela ou branca, símbolo ou desneho de aves, como a águia.
Elemento Fogo: Bastão, lamparinas, pedras de vulcão, vela vermelha ou laranja, símbolo ou desenhos de animais relacionados ao fogo, como uma serpente.
Elemento Água: Cálice, conchas, areia do mar, plantas aquáticas, símbolo ou desenho de peixes ou outros animais aquáticos.
Elemento Éter: Caldeirão, vela roxa ou violeta, espiral.
Sagrado feminino: conchas, runa Berkana, Lua, cisne, gato, cavalo, pedra furada, pedra achatada, pedra da Lua, triskle, cálice, caldeirão, guirlanda de flores, símbolo das três fases da Lua, ankh, maçã, bracelete, imagens de antigas deusas, vela preta, azul ou prateada, castiçal com a figura da Lua.
Sagrado masculino: pedra pontuda, chifres, topázio, runa Sowilo, bolota, Sol, athame, bastão, serpente, cervo, touro, carneiro, guirlanda de folhas, triângulo com o vértice para cima, estaca, imagens de deuses antigos, vela branca, verde ou marrom, castiçal com a figura do Sol.
Além desses existem muitos outros utensílios que podem ser adicionados. Aos poucos você irá fazendo relações pessoais de itens mágicos e acrescentando-os ao seu altar.
Desnecessário dizer também que você não precisa (e nem deve) usar todos esses utensílios ao mesmo tempo! Tendo apenas uma representação de cada elemento e divindade, o seu altar já estará “completo”. Assim, se você não tiver dinheiro para comprar utensílios, isso não é desculpa, pois você pode usar, por exemplo, um incenso (ar), uma vela (fogo), um pires com sal (terra), um copo com água (água) e um deseneho da Deusa e do Deus.
Nunca se esqueça de que o altar é o seu ponto de poder, por isso ele deve permanecer limpo e em ordem, já que ele é usado em todos os rituais. O altar é o seu ponto de conexão com os deuses e com a Natureza; trate-o de acordo.
Outros instrumentos que você deve ter sempre em seu altar durante os rituais:
- velas sobressalentes
- fósforos
- suprimento de incensos
- incensário
- um pequeno pote com água
- um pequeno pires com sal
- sua faca de cabo branco
- uma tigela com bolos ou bolachas
- bebidas
Para que serve um altar?
Um altar é muito importante para qualquer religião, para falar a verdade. Com as bruxas não é diferente. Trata-se de um “centro espiritual” na sua casa; o lugar onde você pode ir todos os dias meditar, refletir, acender velas e incensos, dispôr objetos que são especiais para você e referentes aos deuses.
Os rituais pagãos, na maioria das vezes, são realizados na presença de um altar, que pode ser extremamente simples ou totalmente rebuscado.
Tradicionalmente, o altar é organizado com representações dos quatro elementos na Natureza mais a quintessência, que é o espírito, além de representações das divindades.
O objetivo básico de um altar é o de se ter uma representação física das energias sutis com as quais trabalhamos. Dispondo de certos utensílios à nossa frente, em um ritual, nos conectamos mais facilmente à inspiração que nos levou até ali. É o nosso apoio e onde focalizamos as energias invocadas e criadas no decorrer de um ritual.
Mas como eu posso realizar um ritual sem todas as coisas que preciso no altar???
Calma. Já parou para pensar na simbologia do altar?
Imagine que você irá disponibilizar os objetos em seu altar de acordo com os elementos e seus pontos cardeais. Assim, podemos ter:
Oeste–Água: um copo com água
Leste–Ar: um incenso queimando
Norte–Terra: uma pedra ou um vaso com plantas
Sul – Fogo: uma vela
No centro, coloque uma imagem de um pentagrama (feita por você – desenhe em um papel!), uma imagem da Deusa e do Deus. Procure você mesmo desenhar. Não importa se você é uma negação no desenho; desenhe simplesmente, com o coração. O que importa é o que significa para você.
Dessa forma, você tem um altar absolutamente simples, mas que não perde em nada para qualquer altar cheio de castiçais prateados e toalhas com estampas lindas. Vá aos poucos.

Como montar um altar básico

Se você puder manter um altar fixo em sua casa, certamente é o ideal. Algumas pessoas não gostam de montá-lo no quarto, mas acredito que muitos não possuem escolha. De qualquer forma, todo cômodo da casa pode ter um altar, o que é uma excelente forma de conexão diária com as divindades, mas se puder ter somente um, veja qual a melhor forma de montá-lo somente com o essencial.
Escolha uma mesa, banco, cômoda ou uma prateleira que não seja de fácil acesso ou que, ao menos, você acredita que ninguém irá mexer. Também não escolha um lugar perto de algo que represente perigo de incêndio (cortinas, por exemplo).
Consiga primeiramente uma vela de altar, branca, se preferência daquela grandona de sete dias, para colocar no centro do altar. Se se sentir à vontade, coloque ao lado da branca uma vela também preta. Essas duas velas representarão as polaridades energéticas. Não são “a vela do bem e a vela do mal”. São apenas duas velas que representam polaridades que se complementam, como por exemplo, o masculino e o feminino. Coloque as velas uma em cada extremidade do altar.
Se tiver alguma divindade que goste, coloque uma imagem dela entre as velas. Pode ser um simples desenho seu.
Deixe perto uma caixa de fósforos, para ter sempre à mão uma maneira de acender as velas. Outras ferramentas de uso prático que você pode querer deixar ali são pedaços de papel, pregos, um pequeno recipiente para queimar os pepéis etc.
O importante é deixar o centro do altar livre para quando for praticar seus rituais.
Use castiçais de metal ou qualquer outro material que seja seguro para você deixar velas queimando até o fim.
Este é um modelo de altar básico que você poderá utilizar em qualquer ocasião, independente da sua vertente. Você pode querer adicionar outros instrumentos ou acessórios com o passar do tempo, mas o básico está acima.
Sempre que for fazer algum ritual, acenda sempre em primeiro lugar as velas do altar, a seguir o incenso e por último a(s) vela(s) do ritual. Quando for apagar tudo, faça-o na ordem inversa. O incenso você pode deixar queimando até o fim, pois ele é rápido (especialmente os incensos de varetinhas).





Imagens














Evento abracadabra 2010

Evento abracadabra 2011




Nossas andanças por Paranapiacaba 2011



Trilhas e Rituais